quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Cavaleiro Errante



E chegou o meu Cavaleiro Errante
No seu cavalo triunfante
Ao meu castelo encantado
Eu dormia um sono profundo
Isolada de todo o mundo
E o feitiço foi quebrado

O meu reino conquistou
Aquele trono tomou
Como um conquistador
Destronou todos os reis
Alterou todas as leis
Mas esqueceu o amor

E depressa este soberano
Foi um conquistador tirano
Que as promessas traiu
O meu tesouro saqueou
O seu brilho ofuscou
E o meu castelo ruiu

E tal cavaleiro andante
Seguiu seu destino errante
Sem olhar para trás
O meu sonho derramou
O meu castelo desmoronou
E não o ergui nunca mais

( Lina Mar )







quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Mundo Proveta




Mãe. não gostei de nascer
Este mundo é cruel eu já vi
Deixa-me voltar a ter
O meu aconchego dentro de ti

Nem sequer posso nadar
O mar está cheio de alcatrão
please’ deixa-me voltar
ai, eu não quero viver assim não

Oh, mãe deixa-me voltar
Eu estava tão quentinha
Quando podia me enrolar
Dentro da tua barriguinha

Não quero ouvir falar em guerra
Já é demais tanta bomba e mina
Não quero viver nesta Terra
Todos vão ter a mesma sina

Por favor, não quero ficar
Deixa o tempo voltar a trás
Pára o mundo, eu quero sair
Estas pessoas são muito más!

Oh, mãe deixa-me voltar
Eu estava tão quentinha
Quando podia me enrolar
Dentro da tua barriguinha

( Lina Mar )




Volta no vento...





A noite desce bem devagar
Sobre a praia abandonada
Trás as estrelas e o Luar
E uma onda mais agitada

Escreve na areia os meus segredos
Com os dedos que senti
Murmura ao céu esses meus medos
Já não posso viver sem ti’

Volta no mar, volta no vento
Volta, volta para mim
Peço ao destino, ao firmamento
Eu não posso viver assim

Mais uma noite volta a cair
É silenciosa e escura
Outra noite que não vou dormir
Eu estou só à tua procura

Mas já não há estrelas na cidade
E a lua hoje não vi
Talvez me escondam a verdade
Vou ficar a viver sem ti’

Volta no mar, volta no vento
Volta, volta para mim
Peço ao destino, ao firmamento
Eu não posso viver assim

( Lina Mar )



Talhado no Céu





O nosso amor vem do passado
À muito tempo foi talhado
Por alguma mão divina
Somos metades da mesma maçã
Pássaros da mesma manhã
Mãos com a mesma sina

Quem sabe tudo começou
Quando alguém trincou
Aquele fruto de encantar
Talvez fosse eu distraída
Ou com a intenção medida
De fazer te apaixonar

Quando os séculos passaram
E os Deuses me perdoaram
Quem sabe fomos também
A princesa e o bandido
Um grande amor escondido
Proibido por alguém

Quem sabe tocaste Saxofone
E eu dancei o Charlestone
Nas mesmas canções
Ou como hippies da flor
Gritámos paz e amor
E tatuámos corações

E quando se conquistar a Lua
Com certeza ainda serei tua
Eu aposto tudo que sim
Vamos cair na mesma cratera
E passar mais uma Era
Apaixonados assim

( Lina Mar )


Ele sem ela





Ele saiu de madrigada
E deixou-a cheia de frio
Lá de casa não levou nada
Mas deixou um grande vazio

Ela ficou caída na cama
Olhos presos no infinito
E sentiu que quem mais ama
Não cala a dor num só grito

Chora só mais este dia
Chora só mais esta hora
Coração espera o dia
Que o amor se vá embora

Ele para casa não voltou
Tem o seu orgulho ferido
E aquela dor não curou
Vagueia na vida perdido

Ela continua a esperar
Todas as noites, acordada
Reza pr'a um dia ele voltar
E finalmente ser perdoada

Chora só mais este dia
Chora só mais esta hora
Coração espera o dia
Que o amor se vá embora

( Ana Mar )



Menino Vagabundo





Tu eras a criança que na rua chorava
Que pedia, que mendigava
Por um pedaço de pão
Mas ninguém olhava para ti
Ninguém gostava de ti
Todos voltavam o coração

Tu eras aquele que na rua brincava
Que corria, que se sujava
Por um pouco de liberdade
Mas ninguém te via assim
Ninguem gostava de ser assim
Todos te negavam caridade

Tu foste o miudo que na rua roubou
Que se escondeu, que calou
Já cansado de mendigar em vão
E ninguém quis saber o quê
Ninguém quis saber porquê
Todos te condenaram ladrão

Hoje já não pedes na esquina
Já não corres rua a cima
Tudo acabou naquela manhã
Chamaram-te vitima da sociedade
E tiraram-te a liberdade
Por roubares uma maçã


( Lina Mar )

O Prometido é de Vidro





Tu prometeste-me a lua
E o mais lindo luar
A minha estátua nua
Em cima do altar

Prometeste-me um trono
No mais rico castelo
Com dez colinas sem dono
E o bosque mais belo

O prometido é de vidro
E pode se quebrar
Mas um amor esquecido
Não pode perdoar

Tu prometeste-me o Sol
O metal mais dourado
No teu arco-iris maior
Um cavalo alado

Prometeste-me o mar
E a ilha das sereias
Com os golfinhos dançar
E falar com as baleias

O prometido é de vidro
E pode se quebrar
Mas um amor esquecido
Não pode perdoar


( Lina Mar )



Carcereira Infeliz





Foste embora eu sei
Dizes que não te amei
Pois é verdade sim
Mas tu eras só meu
E o que Deus me deu
Não vai embora assim

Tu vais sonhar comigo
Ver que eu te persigo
Essa vida fora
No meu pensamento
Apago no vento
Que tu foste embora

Podes pensar em fugir
Podes até conseguir
Ser de outra mulher
Mas onde quer que vás
Tu não serás capaz
De me esquecer

És preso ao que faço
Com algemas de aço
Que chaves eu não fiz
Sou a carcereira
Tua prisioneira
Desse amor infeliz

Podes pensar em fugir
Podes até conseguir
Ser de outra mulher
Mas onde quer que vás
Tu não serás capaz
De me esquecer

( Lina Mar )



quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Só com a minha Guitarra




Só com a minha guitarra
Eu sou capaz de falar
O que me vai na alma
E o que me faz sonhar

Ela é minha metade
A mais fiel companheira
Ouve este meu coração
É amante verdadeira

É com a minha guitarra
Que eu digo que namoro
Pois só esta guitarra
Chora quando eu choro
 
Cada corda que ela tem
Esconde um sentimento
Que eu um dia toquei
Mas já perdi no tempo

É somente para ela
Que eu posso confessar
Que vou perder o coração
Se deixar de a tocar

É com a minha guitarra
Que eu digo que namoro
Pois só esta guitarra
Chora quando eu choro


( Lina Mar )



terça-feira, 15 de setembro de 2015

Ser ( o que quiseres )





Tens uma voz dentro de ti
Que te manda lutar
Segue o que ela te diz
Não a deixes calar

A Terra gira todos os dias
A Lua parte de manhã
Se hoje não conseguires
Há sempre um amanhã

Tu podes ser o que quiseres
Se tentares com alegria
E faças o que fizeres
O sol nasce no outro dia

O sol também nasce para ti
O mundo também é teu
Varre as sombras da vida
Varre as nuvens do céu

E mesmo na praia vazia
A maré volta a encher
E até com outras estrelas
A Lua volta a aparecer

Tu podes ser o que quiseres
Se tentares com alegria
E faças o que fizeres
O sol nasce no outro dia

( Lina Mar )




Eu já não penso em ti



Eu já não penso em ti
Nos teus abraços e beijos
Tudo isso esqueci
Apesar dos teus receios

Eu já não sou mais
Aquela que te adora
Que dizias era demais
Ingénua e sonhadora

Já não espero por ti
Nessas noites de solidão
Até a dor esqueci
Fechei-a no meu coração

Digo-te, já não sou mais
A tua pequena mulher
Fui pequena tempo demais
Mas agora quero crescer

Eu já não sou mais
Aquela louca infeliz
E já não me condeno mais
Por todo o bem que te fiz... 


( Lina Mar )

        

 

 

                     

Balada da Fantasia






Tenho saudades daquele lugar
Da varanda onde via o mar
E o horizonte sem fim
Onde as ondas se agitavam
E as sereias cantavam
Baladas só para mim

Quero voltar àquela baía
À areia onde sempre dormia
Acompanhado pelo mar
Onde o céu era estrelado
Sempre belo e iluminado
Pela magia do luar

Sinto falta daquele ceu azul
Das minhas asas de tule
De poder também voar
Entrar no mundo da Fantasia
E alcançar num só dia
O que puder imaginar

Nem sei onde fica este lugar
Porque eu só lá vou a sonhar
Ou quando sinto solidão
Deixo o corpo que me tranca
Apanho uma nuvem branca
E parto para a ilusão

Mas agora dizem que eu cresci
Que já não posso mais voltar ali
Estou preso à realidade
Despedi-me da minha sereia
Já não durmo naquela areia
E perdi a liberdade

( Lina Mar ) 




Eu quero poder fingir





Um dia eu quero subir
À montanha do esplendor
E no seu cimo vestir
As asas de um condor

Vaguear pelo céu azul
E cruzar todos os mares
Atravessar o vento sul
E alcançar outros lugares

Eu quero poder fingir
Eu quero poder sonhar
Que a vida tem de existir
Que o mundo é bom de morar

Um dia eu quero subir
À montanha mais dormente
E no seu cimo vestir
A pele da serpente

Deslizar pelas areias
E perder-me no deserto
Ter o seu sangue nas veias
E um rumo sempre incerto

Eu quero poder fingir
Eu quero poder sonhar
Que a vida tem de existir
Que o mundo é bom de morar

( Lina Mar )




Carrinho Desportivo

 



Comprei este belo carrinho
De jantes bem especiais
Ultrapasso num instantinho
Dá duzentos, até mais

No meu carrinho desportivo
Que ‘só’ gasta doze aos cem
Eu sei que saio sempre vivo
Mesmo que bata em alguém

Aqui vou eu p'ra Lisboa
Sempre, sempre a acelerar
Vou na brasa, isto até voa
Tenho pressa de chegar

Ao Domingo vou passear
E levo a namorada
Ela pede p'ra ver o mar
Mas eu só gosto da estrada

O meu carrinho desportivo
É veloz como as enguias
De uma coisa não me livro
É multas todos os dias!

 (Lina Mar)



 

A Culpa é da Lua




Durante o dia sou feliz
Até assobio na rua
Parece que o sol me diz
... e a vida continua!’

Mas quando a noite vem
E tu não estás aqui
A tristeza chega também
Porque não sei dormir sem ti !

A culpa é da Lua
Que trás a noite com ela
É o feitiço da Lua
Que me dá saudades dela

Durante o dia sou capaz
Até de sorrir para alguém
Parece que o sol me faz
Ser mais alegre também

Mas quando a noite cai
E tu não estás aqui
Toda a alegria se vai
Porque não sei dormir sem ti

A culpa é da Lua
Que trás a noite com ela
É o feitiço da Lua
Que me dá saudades dela

( Lina Mar )